Nomadismo


Sobre a televisão
Maio 22, 2009, 12:39 am
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Ficamos dois dias sem TV aqui em casa. Meu pai brigou com o pessoal da TV a cabo e desligaram tudo, de vez (não dava nem pra ver os canais abertos). Para muita gente isso beira o impensável: como ficar sem TV em casa? Bem, se querem saber foi ótimo.

A casa ficou absolutamente silenciosa por dois dias, com exceção de um eventual barulho de digitação (que eu particularmente gosto muito). Comíamos à mesa, mesmo quando estávamos sozinhos, e eu podia prestar muita atenção no que comia e na velocidade que comia (eu engolia rápido demais os alimentos, sem necessidade). Eu conseguia ouvir meus pensamentos e refletir sobre o que tinha se passado no meu dia. Escrevi bons textos, dormi cedo (aqui em casa o pessoal tem a péssima mania de ficar assistindo TV até mais tarde, e como meu sono é leve eu não conseguia dormir) e fiquei descansada.

Agora o sinal voltou e comecei a me sentir novamente uma intrusa na minha própria casa. Não suporto a barulheira. Já decidi: na minha casa não entra TV.

Vou montar meu cantinho para estudar e escrever em paz. Sem televisão.



Fazer parte das coisas velhas
Maio 22, 2009, 12:27 am
Arquivado em: Desassossego, Platonices

Me sinto antiga. Muito antiga. Parece que o mundo mudou em 1 ano e meio e eu nem sei como. As idéias mudaram, os valores mudaram, as expressões e gírias. E eu não acompanhei. Me sinto mais deslocada do que o normal.

Quando entrei na faculdade não sabia muito bem o que encontrar. Só lembro que tinha um pouco de medo de não dar conta. Mas eu dei. A gente aprende, se acostuma.

Eu nunca fui do grupo dos engajados politicamente, nem dos pesquisadores, nem dos debatedores de audiovisual. Aliás, nunca pertenci a nenhum grupo específico ali dentro. Vivi sempre flutuando de ponto em ponto. O que eu considero muito mais interessante e enriquecedor. Mas eu gostava daquilo. Eu sabia que era algo grande. Respeitava meus professores, problematizava os textos, me inseria dos debates, me interessava e (na medida do possível) lia os textos sugeridos.

Me entristece ver que a nova geração não faz isso. Estão preocupados em entrar, pegar os diplomas e sair. Eles acreditaram tanto nos boatos de que os professores de universidade federal não se interessam pelos alunos, que eles não conseguem perceber a coisa mais óbvia do mundo: eles estão interessados sim, quem não se interessa são os alunos.

Já vi várias turmas tratando o professor como se eles estivessem fazendo um imenso favor a ele por estarem ali. Turmas onde a culpa pelo atraso no resultado de trabalhos que era de responsabilidade dos alunos, recaía sobre o professor. Ninguém lá liga em aprender. Eles simplesmente querem o diploma e só. Pior: eles acham que não precisam aprender. Que já sabem tudo o que há para saber.

Isso não é só na faculdade. Namoro virou passatempo. Namorado (a) adereço fashion para carregar. Rua virou lixo. Idosos são ignorados. Não se percebe o outro ser humano. Porque ele virou apenas um objeto que pode te servir para algo material. Se não, pra quê prestar atenção em sua existência?

Recentemente eu li no orkut um garoto falando que a namorada ficou “dando cara de namoro” e por isso ele começou a namorar com ela. Mas afinal de contas o que é dar cara de namoro? Agir como se fosse namorada do cara?!?!? Porque as mulheres hoje em dia têm que lançar mão de estratégias como essa?

Ou é o fim dos tempos ou eu estou realmente muito defasada.