Nomadismo


Sobre não ter opinião formada sobre tudo
Maio 18, 2009, 4:58 am
Arquivado em: Coisa de adulto

Eu acho meio temeroso um jornalista que tem opinião formada sobre tudo. Aliás, acho que é complicado que qualquer um tenha, um jornalista então… Mas é isso que mais me dá medo no meu curso: todo mundo ali parece que sabe tudo sobre qualquer coisa e ponto. Não há espaço para dizer simplesmente: “Olha, não sei o que acho disso”.

Pra começar é complicado porque uma coisa é você dizer o que acha baseado em textos de outras pessoas, sem ter estado no local, falado com pessoas que são diretamente influenciadas pelo problema.

Um exemplo disso é a polêmica do sistema de cotas no Brasil. Não sei, sinceramente, se sou a favor ou contra.

Sim, eu acho que há uma discriminação social imensa na sociedade e que há um problema de baixa auto-estima que faz com que brancos e negros que são criados nas mesmas condições, tenham resultados diferentes em testes acadêmicos. Mas esse mesmo tipo de problema não ataca outras minorias?

Porque então não deveria haver uma cota para deficientes físicos? Ou até mesmo cotas para mulheres em cursos da área de exatas?

Vários estudos comprovam que, entre meninos e meninas de mesma classe social e mesmo nível educacional, os meninos geralmente se dão melhor em testes de disciplinas como física e matemátia. Já foi, inclusive, sugerido por um pesquisador de um instituto de renome mundial que mulheres simplesmente não teriam aptidão para a área de exatas, sendo aquelas que se destacam nada além de meras exceções.

Bom, eu acho que há uma discriminação de sexo, que ocorre desde a escola primária, e faz com que, posteriormente, os cursos de engenharia estejam inundados de homens e as salas de pedagogia, jornalismo ou arquitetura, cheias de mulheres. Então se é para fazer cotas, porque não oferecê-las para todas as minorias. E não me venham com essa de que mulheres nunca foram discriminadas porque esse definitivamente não é o caso.

Outro assunto que me intriga é o da causa palestina. É uma bandeira da esquerda agora defender a causa palestina e pintar os israelenses como simples brutamontes usurpadores de terras. O engraçado é que ignora-se a maior parte do conflito, que se arrasta desde muitos séculos antes do Espírito Santo sequer pensar em engravidar Maria.

O conflito não é de agora e, pasmem, não tem como ser explicado de forma satisfatória nos moldes sociais e culturais de hoje. Não tem petróleo lá, as terras não são férteis e aquele território não é uma rota comercial imprescindível. A briga lá é tribal, e não é um presidente americano pedindo que os líderes palestino e israelense se dêem as mãos que vai resolver.

Não vou me estender sobre o assunto nesse post, mas o fato é que eu não tenho uma opinião formada sobre isso e nem vou ter tão cedo. E não tem problema não ter opinião sobre tudo.


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