Arquivado em: Celulose
Essa idéia de girico surgiu outro dia durante uma conversa com um novo amigo virtual. Na verdade fazia tempo que já pensava nisso, mas minhas idéias ainda não estavam bem formuladas.
Eu tenho uma relação engraçada com livros. Às vezes livro está bombando, todo mundo querendo ler, e eu não tô tão afim. Às vezes chego a comprar o livro, mas desanimo logo depois e acabo lendo depois de uns meses, ou até alguns anos.
O fato é que eu tenho uma relação muito íntima com os livros. Têm livors que me atraem, que me dão tesão mesmo. Daí eu tenho que ler o livro naquele minuto. Leio na velocidade que me convém e ao final me dá uma sensação de êxtase. Quase um gozo mesmo. Mas isso se o livro for bom. Porque tem uns livros que broxam.
“O Caçador de Pipas” broxou feio comigo. Fez uma propaganda danada, que era bom, que era grande, que durava muito. Chegou na hora, decepcionou. No início até que foi gostoso, fiquei animada, mas broxou feio no fim.
Outros autores já tem um crédito de me presentearem com dias e dias de prazer, por isso não fico chateada se vez ou outra a coisa sai mais ou menos. Tipo o García Márquez. “Com 100 anos de solidão e Viver para contar” ele me proporcionou tanto prazer, que perdoei ele pelo desempenho meia-boca em “Memórias de minhas putas tristes”.
Cada um tem seu estilo também. O García Márquez (como bom colombiano) é cafajeste, conquistador, sexy e adora me surpreender com frases picantes… O Saramago é um pouco mais sério, porém adora inventar moda, faz altas estripulias, praticamente um contorcionista. Além de ter um fôlego… O Veríssimo é divertido. Geralmente curto rapidinhas com ele. Ele é o rei da modalidade. O Mark Twain me mata de rir com observações certeiras, é mais um amante à moda antiga, usa um palavreado mais rabuscado. Adoro quando ele fala na língua original, em inglês. Daí ele é bem mais eloqüente.
Enfim, por isso é que eu acho também que tem um momento certo para cada livro. Não adianta eu tentar lê-lo assim que comprei, ou porque alguém me indicou. Se eu não estiver a fim não rola. Se o livro também não cooperar, nada acontece. Precisa de um flerte mútuo para rolar. Até agora estou flertando com Dostoiévski, mas ele continua impassível. Nem me dá bola.
“Crime e Castigo” continua na minha lista de livros por ler.