Nomadismo


E isso é verdade?
Março 31, 2008, 4:54 am
Arquivado em: Desassossego

Estou fazendo uma pesquisa sobre esquizofrenia agora. Dentre outras coisas. Ando fazendo muita coisa. Mas o que mais mexeu comigo foi a pesquisa para esse artigo.

 A idéia surgiu meio que de brincadeira. Pulou na minha cabeca, como todas as minhas outras idéias. O que é real afinal? E verdade? A minha verdade é diferente da sua. E aí? Quem está certo.

 Acho que se esquecermos questoes de sistemas sociais engessados, e passarmos a pensar mais livremente, a gente acaba vendo que as coisas sao mais complexas do que pensamos. E coisas tao concretas quanto o chao que você pisa podem ruir num piscar de olhos, por causa de duas frases.

É público e notório que eu sou ateísta. Nao que eu seja contra religioes. Exatamente por ser ateísta, respeito cada uma delas. Sou ateísta porque me acho no direito de ter a minha verdade. A minha realidade. Na minha realidade nao há um Deus, e eu nao vou ser castigada por nada do que eu fizer, e nem recompensada por fazer nada. Na minha realidade eu faco as coisas simplesmente porque me sinto bem em fazê-las. Na minha realidade, tudo é relativo, e precisa ser discutido. Mas algumas regras estao ali por um motivo, e precisam ser seguidas.

O que nao me impede de formular novas regras, e procurar novos espacos onde essas regras possam valer.

Nao gosto de absolutos, acho que por isso nunca fui muito fa de igreja nem da idéia de que um senhor voyer de barba branca fica me olhando o dia inteiro para ver o que eu estou fazendo ou deixo de fazer. E depois me julgar por isso.

Segundo a minha verdade, SE É que existe mesmo um senhor de barba branca, ele tem coisas mais importantes a fazer do que brincar de voyeurismo com macacos sem pêlo com egos inflados. Vamos ser sinceros: nós nao somos tao interessantes assim para atrair a atencao de um deus onisciente e onipotente 24 horas por dia. Mas enfim, respeito quem queira acreditar nisso. Acho um pouco de mania de perseguicao…

Na minha realidade, pessoas que aceitam as minhas opinioes numa boa e me explicam, com calma, a delas, sao pessoas legais. Pessoas que sao agressivas e vêm discutir comigo que eu, no fim das contas, acredito no deus judaico-cristao, nao sao tao legais assim. Negar a deus nao é acreditar em deus, nem nunca foi. Aliás, eu nao nego a existência de um senhor de barba branca. Eu simplesmente nao acredito.

Mas acho que me perdi um pouco do ponto. O ponto é a esquizofrenia, e os esquizofrênicos. Nao querendo fazer apologia a alucinacoes. Eu entendo que esquizofrenia é uma doenca, e precisa ser tratada. Mas essas pessoas sao loucas? Só porque elas sao diferentes de nós? Só porque a realidade delas nao se enquadra na nossa realidade quadrada?

Nós nos tornamos uma sociedade de experts em empacotar gente. Acreditamos que para conviver conosco a pessoa precisa ter x características. Que precisa ser capaz de resolver cálculos matemáticos, precisa ser capaz de ler e escrever os símbolos que criamos, precisa acreditar em um deus (no Brasil, preferencialmente, o deus judaico-cristao), precisa usar determinados tipos de roupa, gostar de determinados tipos de música, ter o cabelo de um jeito prá-deterninado, pensar de um jeito pré-determinado, falar de um jeito determinado e SONHAR de um jeito determinado.

E tudo que passar disso e tudo que sair disso e tudo que ignorar isso e tudo que nao QUISER ser isso, é levado ao médico, ao psiquiatra, ao psicanalista, ao psicólogo, à escola, à prisao… empacotado e devolvido.

Prestem atencao: nao estou dizendo que é absurdo um esquizofrênico ou um depressivo se tratar. Sao casos extremos e ajuda é necessária para que a pessoa se sinta bem ao conviver com a família, por exemplo. Mas nossa socidade levou os tratamentos ao extremo!

Se estou triste, tomo Valium. Ansiosa? Rivotril. Se meu nariz é grande demais, na opiniao dos outros? Plástica!

Nao posso ficar triste, ansiosa, calada, desatenta. Nao posso chorar que é errado. Também nao posso gostar de mim, porque afinal isso é bizarro também.

Tudo tem um remédio, uma cura imediata. Uma solucao.

Eu nao tenho, eu sou diferente.



Eu comigo mesma
Março 28, 2008, 10:36 pm
Arquivado em: Desassossego

Outro dia durante um momento verborrágico na alálise acabei confessando que, de vez em quando, observando a minha colega de estágio me sentia até constrangida pela minha aparência. A moca em questao é muito bonita, tenho que admitir. Mas por isso mesmo eu me sinto tao deslocada. Num mundo onde as outras garotas têm aquela aparência (ou têm dinheiro e ânimo para se manter daquele jeito) onde é que eu vou me encaixar?

 Eu me sinto constrangida porque nao sei aonde num mundo de cabelos lisos, há espaco para os meus cabelos rebeldes. Ontem eu lavei os cabelos e por dormir com eles molhados, eles acordaram um pouco mais rebeldes do que o usual. Mesmo assim coloquei uma tiara e resolvi ir para a faculdade. Minha mae nao aprovou. Cabelos assim pareciam despenteados. Melhor prendê-los.

Mas eu nao quero prender meus cabelos rebeldes. Tudo bem que os fios louros se contorcem e apontam em todas as direcoes, que meu cabelo nao fica comportadamente alinhado no couro cabeludo e que eles nao sao longos e simetricamente cortados. Mas meu cabelo é fino e macio, como fios de ouro. E a cor. A cor muda o tempo todo. De um marrom fechado, cor de charuto, até os mais diversos tons de dourado. Dependendo da iluminacao, do penteado e do clima.

 Nao quero prender meus cabelos rebeldes porque adoro a rebeldia deles. Embora ela seja deslocada nesse mundo de cabelos lisos.

Também falam do meu nariz. Grande e com um ossinho protuberante, todos têm certeza que ele deveria ser extirpado de minha face. A maioria das pessoas acha que ele nao cabe no meu rosto. E nem no mundo.

Mas eu nao quero tirar. Porque é que eu tenho que adequar meu nariz ao padrao social de narizes? Iguais aos de todo mundo? Porque nao pode haver lugar para o meu nariz grande?

Porque nao pode haver lugar no mundo para os meus questionamentos? Porque tenho que fingir que sou feliz e estou satisfeita com tudo e todos o tempo inteiro?

Esse texto é na verdade uma ode a mim mesma. Porque nao importa o que os outros pensem ou digam, nao importa o quao deslocada eu me sinta, eu ainda assim me acho uma moca bonita. E nao tem nada de errado ou constrangedor nisso.



Inconfidências na escada
Março 27, 2008, 3:41 am
Arquivado em: Desassossego

Depois de passar pelo stress dos trâmites burocráticos acabei na clássica escadinha do prédio de laboratório conversando amenidades.

 O assunto rendeu. De congressos, pulamos para momentos de catarse dos jovens capixabas e desse assunto para orgias (têm conexão sim, saca: congresso [um monte de jovens juntos] > momentos de catarse [sexo] > sexo > orgias). De orgias eu acabei desabafando sobre minha própria vida sexual frustrada. Nunca participei de uma orgia. Nunca fiz um 3some. Aliás atualmente só 1some mesmo…

Abri meu coração e também contei sobre minha experiência desesperadora com o “freund von mir” alemão e com o colombiano maratonista.

 Não, brasil, não tenho coragem de contar essas coisas assim, em detalhes aqui (ainda, quem sabe um dia?). Dá muito bem para me identificar pelas informações nesse blog, aí alguém descobre e comofas?

Mas que é bom desabafar sobre essas coisas é. Não me sinto tão bizarra, tão deslocada, às vezes. Embora depois eu me reprima por ter feito confissões tão íntimas para pessoas de quem eu não sou tão íntima assim, sabe? Lembrei de uma das meninas do 02 neurônio que dizia que qualquer dia ia ser presa por falar demais. Eu corro o mesmo risco. Acabo de conhecer a pessoa e discorro sobre minha vida, medos, desavenças, família, amigos, pretê, sexo… E não, eu não tenho botão de desliga.

Vivo me torturando, me obrigando a ser mais discreta, falar menos, ouvir mais, não falar sobre intimidades com estranhos. Mas não adianta, eu sempre acabo descambando pro mesmo erro.

 Nem sei pra quê pago a minha psicóloga afinal, se qualquer cadeira pra mim é divã.



Pau no kuh da burocracia
Março 27, 2008, 3:24 am
Arquivado em: Coisa de adulto

Deveria considerar que, tendo um pai que foi professor de universidade federal e uma mãe que trabalha lá eu já estivesse suficientemente acostumada a relatos sobre a burocracia absurda daquele local. Mas a UFES é uma caixinha de surpresas.

 Até onde eu sei saber com quais universidades estrangeiras a universidade mantêm convênio e como fazer para participar dos intercâmbios é um assunto de interesse dos alunos. São informações que deveriam estar disponíveis no site da instituição para quem quisesse acessar.

Como não estão resolvi tomar a responsabilidade da tarefa e, como estudante de jornalismo da supracitada universidade, resolvi ir a caça de informações por conta própria e disponibiliza-las aos alunos. Ou seja, estou fazendo um favor para a administração. Eles não precisam entediar um estudante de ciência ou engenharia da computação para fazer o trabalho de publicar sobre o assunto em um site.

Eis que quando solicito a lista de universidades estrangeiras com as quais a UFES mantém convênio (devidamente autorizada a pedir isso pelo chefe do departamento em questão) o Sr. Burocrata de plantão me diz que eu tenho que protocolar uma solicitação para conseguir tal material, porque ele não faria nada com autorizações verbais. Segundo ele “nós jornalistas” escrevemos muitas matérias criticando a administração.

Mas comassim?!?!?!? Como eu vou criticar a administração por manter convênios internacionais? Já até imagino a manchete: “Absurdo! UFES mantém convênio com universidades de outros países”. Pânico!!! Pessoas correndo e gritando pelo campus…

E mesmo se fosse para falar mal da administração, qual é o problema? É uma merda mesmo! E esse episódio de burocracia fora de propósito serve muito bem para ilustrar a qualidade da administração de lá. ¬¬



O Sr. Buykonnen é um gênio
Março 26, 2008, 12:57 am
Arquivado em: Gaveta de Calcinha, Platonices | Tags:

Uma vez tive uma tremenda discussao com um amigo sobre se o Orkut Buykonnen (nem sei se é assim mesmo que escreve o nome dele) era indiano ou marroquino. Eu tenho quase certeza que ele é indiano, mas enfim, para falar a verdade nem chequei para ver que diabos ele é. Ele é um gênio basicamente. Pelo menos para nós brasileiros. Ele criou um Brasil online. Todo mundo está lá. Nome, sobrenome, fotos, religiao, sexo, opiniao, estado civil… Tudo lá para o escrutínio de todo mundo (agora nem tanto já que colocaram umas travas que sao broxantes para voyers como eu!!!).

 Isso facilitava muito a vida de todo mundo. Quer saber quem sao os amigos daquela menina que você conheceu? Procura no orkut. Quer dicas de fotografia? Conhecer outros calouros da mesma universidade onde você vai entrar? Orkut, orkut!

O problema é: e quando o carinha que você está paquerando nao está na rede?!?!?!? Crise! Como saber se ele já tem namorada? Como descobrir algo sobre os gostos dele para iniciar conversas? Como escrutinar sigilosamente a vida dele para saber se ele é legal?

O problema, na verdade é que o orkut babou a principal diversao da hora da conquista. Você vai lá, checa tudo sobre a pessoa, e nao precisa mais saber nada. Sou uma vítima da superexposicao do orkut. Tem horas que nao tem mais nada sobre o que conversar. Sei demais sobre aquela pessoa. Nao preciso de um papo agradável para saber mais, nao preciso de mais contato ao vivo, nao preciso ficar maquinando jeitos de encontrá-lo e abordá-lo. É só deixar um scrap!

 Tudo bem que era melhor saber com antecedência se o cara tem namorada ou nao. Mas todo o resto?

O orkut acabou com os platônicos….



Os livros e eu
Março 25, 2008, 12:14 am
Arquivado em: Celulose

Essa idéia de girico surgiu outro dia durante uma conversa com um novo amigo virtual. Na verdade fazia tempo que já pensava nisso, mas minhas idéias ainda não estavam bem formuladas.

Eu tenho uma relação engraçada com livros. Às vezes livro está bombando, todo mundo querendo ler, e eu não tô tão afim. Às vezes chego a comprar o livro, mas desanimo logo depois e acabo lendo depois de uns meses, ou até alguns anos.

O fato é que eu tenho uma relação muito íntima com os livros. Têm livors que me atraem, que me dão tesão mesmo. Daí eu tenho que ler o livro naquele minuto. Leio na velocidade que me convém e ao final me dá uma sensação de êxtase. Quase um gozo mesmo. Mas isso se o livro for bom. Porque tem uns livros que broxam.

“O Caçador de Pipas” broxou feio comigo. Fez uma propaganda danada, que era bom, que era grande, que durava muito. Chegou na hora, decepcionou. No início até que foi gostoso, fiquei animada, mas broxou feio no fim.

Outros autores já tem um crédito de me presentearem com dias e dias de prazer, por isso não fico chateada se vez ou outra a coisa sai mais ou menos. Tipo o García Márquez. “Com 100 anos de solidão e Viver para contar” ele me proporcionou tanto prazer, que perdoei ele pelo desempenho meia-boca em “Memórias de minhas putas tristes”.

Cada um tem seu estilo também. O García Márquez (como bom colombiano) é cafajeste, conquistador, sexy e adora me surpreender com frases picantes… O Saramago é um pouco mais sério, porém adora inventar moda, faz altas estripulias, praticamente um contorcionista. Além de ter um fôlego… O Veríssimo é divertido. Geralmente curto rapidinhas com ele. Ele é o rei da modalidade. O Mark Twain me mata de rir com observações certeiras, é mais um amante à moda antiga, usa um palavreado mais rabuscado. Adoro quando ele fala na língua original, em inglês. Daí ele é bem mais eloqüente.

Enfim, por isso é que eu acho também que tem um momento certo para cada livro. Não adianta eu tentar lê-lo assim que comprei, ou porque alguém me indicou. Se eu não estiver a fim não rola. Se o livro também não cooperar, nada acontece. Precisa de um flerte mútuo para rolar. Até agora estou flertando com Dostoiévski, mas ele continua impassível. Nem me dá bola.

“Crime e Castigo” continua na minha lista de livros por ler.



O pé de Feijao
Março 24, 2008, 1:52 am
Arquivado em: Gaveta de Calcinha

Esse post vai sem acentos mesmo. Tô no meu note.

 Em conversa bizarra com uma amiga no msn, ela me vem com essa:

 _ Depois de uma certa idade a gente comeca a ter essas “ites”.

Eu passei o feriado em casa por causa de uma faringite. Ela continuou:

 _ Pois é, tendinite, faringite, sinusite… Conhece a história de Joao e o Pé de Feijao?

_ Conheco, porque?

_ Pois é. De um dia pro outro, você acorda e tem aquele pé de feijao imenso lá. Do dia pra noite você acorda e tudo caiu, peito, bunda, barriga…

_ Eu hein! Nao tenho nem 30 anos ainda!!!

_ Mas acontece, antes do que a gente imagina.

 Confesso que deu medinho da conversa. Um pouco por ela, o quê deu nela pra pensar essas coisas? Um pouco por mim. Sempre tive medo de ficar caidaca…. Rola, mas nao agora, né gentem? Só tenho 21, nao quero ficar pensando em coisas caindo…



Not necessarly
Março 23, 2008, 4:21 pm
Arquivado em: Coisa de adulto, Gaveta de Calcinha

Revista Veja dessa semana. Matéria intitulada “Menina Maluquinha”.

 ” ‘Eu mamo na mamadeira, vou admitir. Não tenho vergonha de dizer que tomo tetê’, declarou. O rasgo de sinceridade diz tudo sobre a artista – Maisa é uma garota de 5 anos.”

 Not necessarly, honey. Pode saber que tem muita apresentadora de TV aí, com mais de 20, que poderia dizer a mesmíssima frase. Talvez não no sentido literal, though…. 



What’s inside the can?
Março 23, 2008, 4:22 am
Arquivado em: Lata

Coloquei essa pergunta no meu msn. Obtive algumas reações engraçadas. Um colega veio me dizer que era coca-cola. E depois questionou se “can” no caso, era vaso sanitário. Não era. Um outro amigo veio me dizer que achou foda e ia roubar pra colocar no msn dele também. Ninguém lembrou do filme. Do filme de onde eu tirei essa pergunta. “O Terminal”. A primeira vista, é um filme até simplório, sem nada de muito profundo a se pensar. Mas outro dia, no ônibus de volta pra casa (por isso adoro andar de ônibus, me dá tempo pra pensar nas coisas), lembrei do filme. O personagem do Tom Hanks tinha uma lata. Ele não dizia a ninguém o que tinha ali dentro. Até que a aeromoça por quem ele era apaixonado pergunta: “What’s inside the can?”. A resposta é simples: “Jazz”. Sim senhores, dentro da lata do moço perdido no aeroporto tinha Jazz. Que, por sinal, diga-se de passagem, é uma puta coisa legal para se ter na sua lata, não acham?

Daí fiquei pensando o quê eu tenho na minha lata. Com certeza tem jazz na minha lata. Tem uma casa na minha lata. E uma tonelada de cheiros. Quando eu abro a minha lata sinto cheio de goiabada, às vezes. E às vezes de café com queijo. Ou de grama molhada. Ou cheio de couro… Depende do dia. Mas minha lata tem coisas muito legais. A lata do meu amigo, que achou foda a frase, também tem coisas muito bacanas, tenho certeza. Ele pode não ter entendido 100%, mas alguma coisa entendeu, da proposta da lata. Só que ele é bem discreto sobre o conteúdo da lata dele. O meu outro amigo, aquele que achou que a lata tinha coca-cola ou era uma privada. Bem, acho que isso diz bastante sobre o quê tem na lata dele. Nada de errado. Acho que tem milhares de pessoas que têm coca-cola na lata. E outras milhares que usam a lata como privada. Mas todo mundo tem uma lata. E alguém no mundo, além de mim, deve ter jazz dentro da lata também.